O que é o Giyarween Sharif?

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Poesia enaltecendo a Personalidade de Huzoor Ghous-e-Azam Hadhrat Syedena Shaykh Abdul Qadir Jilani

O que é o Giyarween Sharif?

É um encontro religioso que ocorre geralmente no 11º dia de cada mês do calendário lunar. Este encontro consiste na recitação do Sagrado Alcorão, na récita do Zikr (recordação de Allah através da recitação de alguns dos Seus atributos), na realização de Fateha e na distribuição de comida, com o objectivo de enviar as recompensas para o Grande Santo, Huzoor Ghous-e-Azam Hadhrat Syedena Shaykh Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele). Esta prática islâmica vai de encontro com o conceito de enviar recompensas para outros. Designa-se por Isaal-e-Sawaab e e é provado pelo Alcorão e pela Sunnah.

Quando se efectua esta prática e pretende-se a enviar as bênçãos espirituais a uma Personalidade piedosa, a comida sobre a qual se efectuam as recitações acima mencionadas designa-se comida de Niaz.

O que é o Isaal-eSawaab? É permitido?

Isaal-e-Sawaab é o acto de efectuar uma boa acção e enviar a recompensa, a gratificação espiritual para outra pessoa.

Allah afirma no Alcorão:

“E aqueles que os seguiram dizem: Ó Senhor nosso, perdoa-nos, assim como também aos nosso irmãos, que nos precederam na fé, e não infundas em nossos corações rancor algum pelos fiéis. Ó Senhor nosso, certamente Tu és Compassivo, Misericordiosíssimo.”

[Al-Hashr 59.10]

Este versículo do Alcorão prova que as preces dos muçulmanos para o perdão de outros muçulmanos enquadra-se nos ensinamentos do Alcorão. Interpretamos assim que o Isaal-e-Sawaab é uma forma de súplica (designada por duah).

Num Hadith, dos Imams Bukhari e Muslim, a Mãe dos crentes, Hazrat Aisha Siddiqua (Que Allah esteja satisfeito com ela) narra que uma pessoa abordou o Profeta Muhammad àcerca do envio de gratificações (Isaal-e-Sawaab) para a sua mãe, ao qual o Sagrado Profeta respondeu que as recompensas da sua caridade (sadaqa e khairat) iriam, de facto, chegar à sua mãe.

De acordo com outro Hadith, no Musnad de Imam Ahmed, Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) colocou uma questão ao profeta Muhammad: “Em relação aos nossos parentes já falecidos, efectuamos Duah, damos caridade e fazemos a peregrinação; será que é recebido por eles?”, ao que o Sagrado Profeta respondeu: “Sim, os falecidos recebem e ficam satisfeitos, sentindo-se gratos tal como vós vos senteis gratos quando vos oferecem prendas”.

Haji Imdad-ullah Mahajir Makki (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele) escreve no Faisala Haft Mas’ala, “a forma de enviar recompensas (Isaal-e-Sawaab) durante estas ocasiões não se aplica específicamente a uma nação (a prática não está isolada ao subcontinente indiano); O Giyarween Shareef de Hadhrat Ghaus-e-Paak Quds Sirahu, os 10º, o 20º e o 40º dias, assim como o 8º dia, o Urs (aniversário), Tosha-e-Hadhrat Sheikh Ahmed Radolvi (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele), Aursamini Hadhrat Bu Ali Qalandar (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele), os doces (Halwa) do Shab-e-Barat e outras formas de Isaal-e-Sawaab são baseadas neste mesmo princípio”.

O que é a Fateha?

Hadhrat Shah Abdul Aziz Muhhadith Dehlvi (que Allah conceda a sua misericórdia sobre ele), no seu primeiro livro de Fataawa, descreve, “A comida de Niaz cuja recompensa é enviada a Hazrat Imam Hassan e Hazrat Imam Hussein (que Allah esteja satisfeito com eles) e sobre o qual Surah Al-Fateha, os quatro Surahs que começam por Qul e Durood Shareef são recitados, torna-se comida repleta em Barakah (bençãos) e deve ser consumida”. A leitura das partes do Alcorão acima menciondas é conhecida como Fateha.

Hadhrat Shaykh Shahabuddin Suhurwardi (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele) descreve a sabedoria inerente à Fateha no seu livro Awarif Al-Ma’arif. Ele escreve que, recitando o Alcorão sobre a comida, as partículas dos alimentos preenchem-se de noor (luz) do zikr (recordação de Allah) e nenhum mal poderá entrar na comida. Ao comer tais alimentos o coração torna-se espiritualmente limpo.

Recitar o Alcorão e efectuar o Duah na comida é provado por muitos Sahih (Ahadith credíveis e autenticados). No Sahih Muslim, é narrado que o Sagrado Profeta , realmente efectuou o Duah na comida para Barakah, em Ghazwa-e-Tabuook. Nos Ahadith Bukhari e Muslim Sharif, é narrado por Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Sagrado Profeta colocou certa vez a comida à sua frente, recitou algo e de seguida fez suplicações. Noutra narração transmitida tanto no Bukhari como no Muslim Sharif, o Sagrado Profeta fez súplicas para o Barakah no creme de trigo (doce tradicionalmente conhecido por halwa).

Será que os nossos antepassados Muçulmanos celebraram o Giyarweenh Shareef ou o Urs de Shaykh Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele)?


Hadhrat Shaykh Abdul Haq Muhhadith Dehlavi (que Allah conceda a sua misericórdia sobre ele) diz no Ma Sabita Bis-Sunnah que, “Não há dúvida que o Giyarhween Shareef de  Ghaus-ul-Azam é popular não só nas nossas cidades mas também para a sua família e para os estudiosos de Hind”.

Akhbar-ul-Akhyar diz que Shaykh Amanullah Paani Pati (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele) costumava celebrar o Urs de Ghaus-ul-Saqalain no décimo primeiro dia do mês de Rabi-uth-Thani.

Imam Arif Kamil Hadhrat Shaykh Abdul-Wahab Muttaqi Makki Quds Sirahu costumava celebrar o Urs de Ghaus-Al-Saqalain. Ainda, no mesmo livro Ma Sabita Bis-Sinnah, Shaykh Abdul Haq Muhadith Dehlvi (que Allah conceda a sua misericórdia sobre ele), descrevendo a importância do Urs (celebração da partida de um amigo de Allah deste mundo para o encontro com o Seu Criador), escreve que alguns antigos Mashaikh (estudiosos) afirmaram anteriormente que no dia em que os amigos de Allah Ta’ala (Awliya Kiraam) se encontrarem com o seu Senhor (partida deste mundo), assinala o dia esperança de onde se sente khair (algo de positivo, de benéfico), de Barakhah (bençãos) e muita  iluminação. Celebrar o Urs é considerado lícito e vai de encontro com os actos altamente recomendados pelos estudiosos acima mencionados.

Hadhrat Shah Abdul Aziz Muhadith Dehlavi (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele) diz em Malfoozar-e-Azeezi que:

“…reis e personalidades proeminentes juntavam-se no abençoado Rôza (santuário, i.e. túmulo sagrado) de Hazrat Ghaus-e-Azam (que Allah esteja satisfeito esteja com ele) e recitavam o Alcorão desde a oração de Asr até Maghrib e recitavam Qasaid e Manqabat (poesia) de forma a enaltecer a Personalidade de Hazrat Ghaus-e-Azam (que Allah esteja satisfeito com ele). Depois da oração Maghrib, o Sajjada Nasheen (guardião do santuário) saía para liderar o Zikr, sentando-se entre os seus Mureedeen (discipulos) e visitantes enquanto algumas pessoas experienciavam o estado de Wajd (profundas emoções espirituais) durante o Zikr. De seguida, eram preparadas refeições e doçarias para ser servido o Niaz. As pessoas ficavam então até à oração de Isha e iam-se embora”.

Hazrat Shah Walli-ullah Muhhadith Dehlvi (que Allah conceda a sua misericórdia sobre ele) recolheu os ditos de Hazrat Mirza Mazhar-e-Jan-e-Janan (que Allah conceda a sua misericórdia sobre ele) no seu livro Kalimat-e-Tayyabat. Numa dessas passagens, Mirza (que Allah esteja satisfeito com ele) afirma:

“Eu vim num sonho que estavam muitos Awliya Kiraam (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre todos eles) sentados num círculo em estado de Muraqaba (concentração espiritual) num Chabootra (nível espiritual elevado). Entre eles estava Hazrat Khawaja Naqshband (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele) e Hazrat Junaid Baghdadi (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele). De seguida, ambos foram receber Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Quando Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) chegou, o mesmo vinha acompanhado de uma certa pessoa que estava coberta por um manto e vinha descalça, cuja mão estava a ser segurada por Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) com enorme respeito. Depois de se perguntar sobre esta personalidade, foi dito que era Hazrat Owais Qarni (que Allah esteja satisfeito com ele), conhecido na história como aquele que nutria um amor incondicional pelo Profeta Muhammad . Então um hujra (um quarto) bastante limpo e claro que era iluminado com uma nur (luz) apareceu. Todos estes Awliya kiraam (que Allah conceda a Sua Misericórdia sobre todos eles) entraram nele. Eu questionei-os e fiquei a saber que este fenómeno assinalava o dia do aniversário (Urs) de Hazrat Ghaus-ul-Saqalain (que Allah esteja satisfeito com ele), ou seja, era Ghyarhween Shareef. Todos estes Santos entraram nesse sítio para celebrarem o aniversário (Urs)”.

Qual o significado do nome Ghaus ou Ghaus-e-Azam e é permitido este termo para ser usada para um ser humano?


Ghaus-e-Azam significa, aquele que consegue preencher as necessidades das pessoas e Ghaus-Al-Saqalain significa o ajudante dos Jinn e dos seres humanos. Allah é Aquele que preenche as necessidades dos seres humanos e de todas as criaturas mas por Ele ter concedido a autoridade aos Seus amigos (Awliya Allah), eles têm a capacidade para ajudar e intervir por quem lhes solicitar assistência. Do mesmo modo, com as bençãos e o poder facultados por Allah a Hazrat Syedena Shaykh Abdul Qadir Jilani (Que Allah esteja satisfeito com ele), ele é Ghaus-e-Azam. Na terminologia do Sufismo, a palavra Ghaus é usada para denotar o nível mais elevado de Wilayat. Wilayat, é o estado de elevação espiritual concedido por um Mestre a um discipulo ou noutros casos a obtenção individual de inspiração mística reconhecida pelas autoridades místico-islâmicas.

Pergunta-se também no que toca ao ser válido ou não designar alguém por Ghaus ou Ghaus-e-Azam. Certas pessoas podem dizer que chamar alguém, para além de Allah Ta’ala, por Ghaus-e-Azam é incorrecto ou é associado a shirk (espírito de idolatria). De facto, isto não corresponde à verdade. De acordo com um Hadith narrado por Ibne-Khazema (Que Allah esteja satisfeito com ele) no seu Sahih, sendo que o mesmo é mencionado por Hakim no Mustadrik e por Imam Bayhaqi no Sunan, que aquando do Califado de Hazrat Umar (Que Allah esteja satisfeito com ele) haviam problemas de fome, o Califa Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) enviou, certa vez, uma ordem de ajuda para Hazrat Amr Bin al-Aas (Que Allah esteja satisfeito com ele) no Egipto, no qual estavam escritas imensas vezes Fa ya Ghausahu Thuma Ghausahu, significando que era uma chamada por ajuda. Isto mostra que o uso da palavra Ghaus pelos seres humanos, é permitido.

Façamos agora uma análise de quem de entre os estudiosos islâmicos usaram a a palavra Ghaus para Hazrat Syedena Shaykh Abdul Qadir Jilani (Que Allah esteja satisfeito com ele):

  • Mirza Mazhare Jane Janan (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele) usou Ghaus Al-Saqalain e Ghaus-e-Azam nos seus escritos (Malfoozat)
  • Qazi Sana-ullah Pani Pati usou Ghaus-al-Saqalain várias vezes em Saif-al-Maslool,
  • Hazrat Shah Walli-ullah Muhadith Dehlavi (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele)  escreveu Ghaus-e-Azam no seu Humm’at
  • Hazrat Abdul Aziz Muhadith Dehlavi (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele) escreveu Ghaus-e-Azam no Tafseer-e-Azeezi
  • Hazrat Mujadid Alf Thani Quds Sirah escreveu Ghaus-Al-Saqalain no Makashifat-e-Ghaibia e usou Ghause-Azam no Maktoobat
  • Hazrat Shaykh Nooruddin Abu-Al-Hassan Ali (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele) usou Ghaus al Wara no Bahija-tul-Asrar
  • Hazrat Khawaja Qutub-ud-din Bakhtiyar Kaki (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele) e
  • Hazrat Maulana AbdarRahman Jami (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele) usaram Ghaus-al-Saqalain e ainda
  • Hazrat Shaykh Abdul Haq Muhadith Dehlavi (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele) usou Ghaus-e-Azam and Ghaus-Al-Saqalain no Akhbar-Al-Akhyar.

Em suma:

Podemos concluir que Shaykh Abdul Wahab Muttaqi Makki, Shaykh Aman-ullah Pani Patti, Shaykh Abdul Haq Muhadith Dehlavi, Mirza Mazhare Jane-Janan, Shah Walliullah Muhadith Dehlavi, Shah Abdul Aziz Muhhadith Dehlavi e outros Awliya Allah e estudiosos do Islão (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre todos eles) não só aceitaram o conceito de Ghyarhween Shareef mas eles próprios usaram regularmente as palavras Ghaus-e-Azam e Ghaus-ul-Saqalain para mencionarem Hazrat Syedinna Shaykh Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele).

A partir dos escritos de Hazrat Shaykh Abdul Haq Muhadith Dehlavi (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre ele) no Ma Sabita Bis-Sunnah, é explícitamente demonstrado que o Giyarhween Shareef era conhecido e bastante popular em todas as cidades desde pelo menos 958 da Hijra (Hégira) até 1052. Então Giyarhween Shareef e o Urs dos Awliya Kiraam (que Allah conceda a Sua misericórdia sobre eles) têm sido uma prática da Ummah (comunidade muçulmana) durante séculos. Também concluímos que o Isaal-e-Sawaab é uma prática Islâmica autenticada em que consiste na récita do Sagrado Alcorão sobre alimentos para bençãos espirituais.

Rogamos a Allah para que nos perdoe e nos guie para que sigamos a Sunnah do nosso Sagrado Profeta e sirvamos os Awliya Kiram. Ameen.