Líder dos Santos, Ghous-e-Azam Hazrat Shaykh Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele)

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Por ocasião do ínicio do quarto mês do ano islâmico, Rabiul-Akhir ou Rabi al Thani, é primordial retratar a biografia de um dos Maiores Santos do islam, Ghous-e-Azam Hazrat Shaykh Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele).

A sua vida e conduta são um exemplo de piedade e de uma extraordinária e inabalável Fé em Allah, O Senhor do universo.

Rogamos a Allah, O Todo Poderoso, para que nos guie sempre no Caminho Recto, pelo intermédio do Seu Querido Mensageiro, Hazrat Muhammad Mustafa , Da Abençoada Família do Profeta , dos Companheiros do profeta , dos Mártires e de Todos os Santos-ameen.

Nome:

Hazrat Abu Muhammad Muhiyuddin Shaykh Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele)

Conhecido como:

Ghaus-e-A’zam Piran-e-Pir, que significa:

(1)  O Maior Auxiliador

(2)  Aquele que socorre as pessoas nas adversidades

(3)  O Chefe dos Santos, cujo Poder lhe é atribuido por Allah, O Majestoso para auxiliar os crentes aquando das suas dificuldades

Local de Nascimento:

Jilan, Irão

Data de Nascimento:

1 de Ramadhan, 470 Hégira

Shaykh (Ou Murshid, que significa Mestre Espiritual)

Hazrat Shaykh Abi Saeed Makhzumi (que Allah esteja satisfeito com ele)

Tariqah (Ordem Espiritual)

Qadriya

Fenómenos que marcaram o seu nascimento

– Um dos grandes Santos da cidade de Bagdade, Hazrat Junayd Baghdadi (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele ), certa vez, numa das suas exortações, afirmou que “Os seus pés estão sobre o meu pescoço”. Após ter sido questionado para um maior entendimento destas palavras, Hazrat Junayd explicou: “Foi-me mostrado, pela via da abertura (Kashf, o desvendar de fenómenos espirituais) que a partir de finais do século 5 da Hégira, haverá lugar ao nascimento de um Grande Santo e Amigo de Allah, O Majestoso, cujo nome será Abdul Qadir e será aclamado como Muhiyuddin. O seu local de nascimento será Jilan e o seu local de repouso será Bagdade e ele dirá: “Os meus pés estão sobre os pescoços de todos os wali (Santos)”. Ao testemunhar o esplendor desta Personalidade (através do Kashf), eu inclinei o meu pescoço e disse as palavras que vocês ouviram.

– O pai de Shaykh Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele), Hazrat Abu Salih Musa Jangi Dost (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele), num dos seus exercícios espirituais, certa vez passou por um rio. Ao caminhar, sentiu a dureza da fome que lhe perseguia há já vários dias. Naquele momento, viu uma maçã que parecia bem conservada. As extremas condições de fome a que estivera sujeito durante mais de 3 dias, levou-o a levantar aquele fruto.  No entanto, após ter consumido a maçã, arrependeu-se imediatamente de a ter comido.

A sua consciência e temor a Allah, O Majestoso levou-o a refletir que a maçã pudesse ter pertencido a alguém e ele teria simplesmente levado, sem qualquer tipo de autorização. Foi então que decidiu que iria encontrar o responsável pelo fruto.  Após ter caminhado mais uns metros ao longo da margem do rio onde se encontrava, encontrou um jardim recheado de macieiras, ao redor do belo rio que tornava os frutos belos e apetecíveis. Hazrat Abu Salih (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele) concluiu que a maçã que comera, teria vindo daquele belo jardim. Após ter perguntado, soube que o jardim pertencia a Hazrat Abdullah Somi (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele). Dirigiu-se então ao proprietário, onde se apresentou e pediu desculpas por ter comido uma maçã do seu jardim, sem que tivesse pedido a sua autorização. Hazrat Abdullah Somi (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele), que era ele próprio um Homem de Deus, reconheceu rápidamente a atitude de enorme piedade e devoção daquele jovem. Hazrat Abdullah Somi (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele), decidira então que o jovem ficaria com ele durante algum tempo, como responsável daquele jardim e que no final do seu contrato, lhe iria perdoar. Hazrat Abu Salih (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele) concordou e empenhou-se árduamente nas suas tarefas, até que no final da sua prestação, abordou Hazrat Abdullah Somi (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele), para saber se tinha sido perdoado. No entanto, Hazrat Abdullah Somi (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele) respondera que ainda faltaria mais uma condição a ser cumprida, antes de lhe conceder o perdão. O Grande Santo, disse que tinha uma filha que era invisual, surda e com problemas especiais nos braços e nas pernas. Hazrat Abu Sali (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele) teria que se casar com a rapariga para que o seu perdão fosse aceite. Hazrat Abu Sali (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele) aceitou esta condição. Todavia, ao ver pela primeira vez a sua esposa na noite do seu casamento, vira que ela não tinha nenhum problema de saúde e detinha uma enorme beleza física, o que deixou consternado por recear que tivesse casado com a mulher errada. Perplexo, abandonou os seus aposentos. Hazrat Abdullah Somi (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele) sentiu este dilema e disse, “Ó Príncipe, esta é a tua esposa e eu não retiro uma palavra do que disse. Ela é invisual porque nunca utilizou o seu olhar para alguém que fosse não-Mahram (ver alguém de forma ílicita). Ela é surda porque nuncou ouviu nada que fosse contra a Shariah (Lei Islâmica). Ela tem problemas especiais nas mãos porque nunca as utilizou para algo que não respeitasse a Shariah e também o mesmo nas pernas porque nunca saíu de casa desrespeitando a Shariah. Ao ouvir estas palavras, Hazrat Abu Salih (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele), ficou extremamente emocionado e encantado. Nesse preciso momento, agradeceu A Allah, O Majestoso pela Sua benção. É assim que descrevemos os pais extremamente devotos e piedosos de Hazrat Ghaus-e-A’zam.

– O Querido pai de Hazrat Abu Salih Musa Jangi Dost (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele), teve um sonho em que viu o Querido e Amado Profeta  que lhe disse: “Ó meu filho Abu Salih, Allah, O Majestoso concedeu-lhe, na sua descendência, um filho meu que também será amado por Allah. E o seu ranking entre os Awlya (Amigos de Allah), é como o meu ranking, entre os Profetas.”

– Ao nascer, durante o abençoado mês de Ramadhan, Hazrat Shaykh Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele), apesar de ainda ser um recém-nascido, não ingeria nem uma gota do seu leite materno, desde o amanhecer até ao anoitecer.

– Na noite de Mi’raaj (Ascenção do Nosso Querido e Amado Profeta  ) aos céus, o Profeta Muhammad tocara os seus abençoados pés no pescoço de Hazrat Shaykh Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele) e essa marca estava presente aquando do nascimento do Grande Santo.

Genealogia

Hazrat Ghaus-e-A’zam (que Allah esteja satisfeito com ele) é “Najeeb-ut-Tarfayn” Syed, i.e. a ascendência do seu pai, Hazrat Abu Salih Musa Jangi Dost (que a misericórdia de Allah esteja sobre ele) remonta a Imam Hasan (que Allah esteja satisfeito com ele) e a linhagem da sua Querida mãe, Sayyida Umm-ul-Khayr Amat-ul-Jabbar Fatimah (que a misericórdia de Allah esteja sobre ela), vem de Imam Husein (que Allah esteja satisfeito com ele). Ambos Imam Hasan e Husein (que Allah esteja satisfeito com eles) eram os Queridos Netos do Santo Profeta Muhammad  .

Acontecimentos que se distinguiram durante a sua vida

Quando Hazrat Ghaus-e-A’zam (que Allah esteja satisfeito com ele) era ainda uma criança, certo dia, na data que assinalava o Dia da Peregrinação a Meca (conhecido com Dia de Arafah), encontrava-se na sua aldeia de Jilan, a lavrar a terra com um animal. Naquele momento, o boi virou-se para ele e disse-lhe, “Ó Abdul Qadir! Tu não foste criado para isto”. Chocado com isto, o jovem Shaykh correu para casa e contou à mãe, o que se passara. Foi então, que pediu à mãe para o mandasse estudar para Bagdade. A mãe deu ao jovem Shaykh a quantia de 40 dinares que o pai lhe deixara. O Shaykh deixara metade para o seu irmão e os restantes 40 dinares, guardou-os, tendo a mãe cosido uma parte da sua roupa para guardar o dinheiro. A mãe exortou-o a falar sempre a verdade, seja a circunstância que fôr. Ela despediu-se dele, dando a sua benção e as suas orações, dizendo-lhe que a próxima vez que iria vê-lo, seria no Dia de Yaum-ul-Qiyamah (Dia do Juízo Final).

Hazrat Ghaus-e-A’zam (que Allah esteja satisfeito com ele) iniciou a sua viagem para Bagdade numa pequena caravana. No caminho, a caravana foi atacada por 60 assaltantes. Um deles aproximou-se do Shaykh e perguntou-lhe se tinha algo de valor com ele, pelo que o Shaykh lhe respondeu que tinha 40 dinares cosidos na sua roupa. O assaltante duvidou da honestidade do rapaz e pensou que era uma brincadeira. Chamou então outro assaltante e acontecera o mesmo. Foi então que reportaram este incidente ao líder, que por sua vez, perguntou ao rapaz o que o levou a contar algo, que poderia passar despercebido. O jovem Shaykh (que Allah esteja satisfeito com ele), disse que a mãe insistira que ele falasse sempre a verdade e que ele não poderia quebrar esta promessa. Estas palavras tocaram o coração do líder, que rápidamente sentiu um enorme sentimento de remorsos ao ver que um jovem não queria quebrar com a promessa da mãe em contraste de ele próprio, ter durante vários anos não ter cumprido com o dever de honestidade para o Seu Senhor. O líder dos assaltantes arrependeu-se dos seus actos de crueldade nas mãos do Shaykh, tendo os seus súbditos agido da mesma forma.

Educação e desafios espirituais

Hazrat Ghaus-a-A’zam (que Allah esteja satisfeito com ele) chegou a Bagdade e iniciou o seu curso na Madrassa Nizamiya , que era considerada a mais prestigiada instituição educativa daquela época, onde ministravam os mais altos e qualificados professores. Em alguns anos, Hazrat Shaykh Abdul Qadir (que Allah esteja satisfeito com ele), finalizou o seu curso na área das ciências e vários tipos de conhecimento externo.

O Shaykh (que Allah esteja satisfeito com ele) experienciou várias dificuldades durante os seus estudos.  Os 40 dinares que a mãe lhe dera, não foram suficientes para o resto do curso e houve situações de fome que o Shaykh estivera sujeito. Certo dia, em condições de extrema debilidade e fome, o Shaykh dirigiu-se a uma mesquita para repousar. Um jovem não-árabe entrou na mesquita, trazendo consigo alguns pedaços de pão com carne e sentou-se num canto, para se alimentar.Quando o rapaz viu o Shaykh, aproximou-se para partilhar a comida, perguntando-lhe de onde era. O Shaykh respondeu que era de Jilan e que tinha vindo a Bagdade para a busca de conhecimento. O jovem perguntou se o Shaykh conhecia um jovem chamado Abdul Qadir, de Jilan, ao que o Shaikh respondeu que era ele próprio. O rapaz ficara, repentinamente, preocupado, pois disse que já andava à procura do Shaykh porque a mãe lhe tinha enviado algum dinheiro. Todavia, ninguém conseguira dar qualquer tipo de informações sobre o paradeiro do Sheikh Abdul Qadir(que Allah esteja satisfeito com ele). O jovem explicou-se que depois de andar à procura do Shaykh tinha terminado as suas provisões e depois de não ter comido durante 3 dias, fora forçado a comprar comida com o dinheiro que a mãe do Shaykh lhe tinha dado.  Isso apenas significara que o verdadeiro detentor da comida era o Shaykh Abdul Qadir (que Allah esteja satisfeito com ele) e que o jovem era o seu convidado. O Shaykh (que Allah esteja satisfeito com ele) ficara bastante feliz por isso e também partilhou a refeição com o rapaz.

O Shaykh (que Allah esteja satisfeito com ele) passou por uma série de privações, durante o seu treino espiritual no período de 25 anos que residiu no Iraque, vivendo e caminhando por várias vezes no deserto, isoladamente. Foi então que as várias experiências místicas começaram-se a revelar, quando Jins (génios) vinham se encontrar com o Shaykh para receberem conhecimento. Hazrat Khidr (que a misericórdia de Allah esteja com ele – Khidr– O Santo mencionado no Alcorão, conhecido como Abul-Abbas Balya-Bin-Malkan (que a paz de Allah esteja com ele)) também contribuiu para a formação espiritual do Shaykh, tendo dito para que o Shaykh ficasse 3 anos, num lugar específico. Durante esse período, no primeiro ano o Shaykh passou por um regime alimentar bastante rigoroso onde se alimentava apenas de folhas de árvores, sem sequer beber água. No ano seguinte, não se alimentava e apenas bebia água. No terceiro ano, não comia nem bebia, nem sequer dormia. As suas tentações o atacavam, através de demónios invisíveis, mas uma Voz do Oculto o mantia firme no seu percurso/treino espiritual.

O Shaykh (que Allah esteja satisfeito com ele) narra que apesar de ter passado por todas as fases do treino espiritual e das privações a que estivera sujeito, sentido uma maior limpeza no seu íntimo de todas as doenças do coração, ainda não conseguira alcançar o seu Destino.

As várias fases de aproximação com Allah foram-se diversificando à medida que o Shaykh alcançava uma maior ligação com Allah O Majestoso.

Em termos místicos, O Grande Santo de Bagdade tentou alcançar um nível denominado de “A porta de Tawakkul (confiança)”, deparou-se com uma enorme multidão, que rápidamente ultrapassou. Chegou então à Porta de Shukr (gratidão), onde também encontrou uma enorme multidão, que por sua vez, passou e os deixou atrás. A fase seguinte é a “Porta de Ghina (independência)” onde se encontrava mais uma multidão.Indo mais além, chega à Porta de Mushadida(testemunho), onde a experiência foi a mesma das anteriores. Finalmente, chega à Porta de Faqr, que ao passar, viu que se encontrava vazio. Aqui encontrou tudo o que abandonara  nas seus exercícios espirituais. Aqui, encontrou um Grandioso Tesouro espiritual e sentiu uma enorme libertação da sua alma.

À medida que o Shaykh (que Allah esteja satisfeito com ele) ia sendo elevado nos níveis mais elevados da espiritualidade, aconteciam-lhe fenómenos inexplicáveis. Certa vez, durante a sua estada no deserto, apareceu-lhe uma Luz que vinda dos céus assim como uma Forma Irreconhecível, que lhe disse: “Ó Abdul Qadir! Eu sou o Teu Senhor e tudo o que eu tornei ílicito para os outros, tornei lícito para ti”. Então, podes fazer o que quiseres.” Ao ouvir estas palavras, o Shaykh Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele) recitou: “A’oodhu billahi minash shaytaanir rajeem”, A luz imediatamente desapareceu e deu lugar a uma escuridão imensa, que fez com que a face se transformasse em fumo.  [Aquela luz era o diabo que ia colocando obstáculos para que Abdul Qadir não conseguisse aproximar-se de Allah O Majestoso]

O satanás ainda dizia, “O teu conhecimento salvou-te (…)”

Introdução à Tariqah (Ordem Espiritual) Silsila-e-Qadriya

Entre as primeiras Ordens sufis a serem fundadas, conta-se a de Shaykh Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele), que era um estudante da escola Hanbali, em Bagdade. Os sufis da Ordem Qadriya concentram-se principalmente na purificação do seu “eu”.De acordo com esta filosofia, a purificação do espelho do coração reflecte-se na alteração das qualidades físicas e carnais do ser humano para que isso se traduza num maior bem-estar físico e espiritual. Os sufis defendem que a alma humana proveio do Oculto e que é capaz de retornar à sua Forma Original e Esplendor Divino. Mas, as impurezas do “eu” não permitem essa retro-transição. Por Exemplo, se um espelho se enferrujar não será possível reflectir a imagem que projeta. Mas se o espelho estiver em condições, o seu reflexo é claro e transparente. Da mesma forma, se um espelho se reflecte noutro igual, ambos projetam o mesmo. É nesse sentido que se pretende explicar esta filosofia, que quando o íntimo do sufi está isento de impurezas e limpo como a de um espelho, a beleza do Bem-Amado se reflecte nele.

A escola Qadirya de Misticismo islâmico baseia-se únicamente nos príncipios da Lei Islâmica a Shariah. Nesta tradição, o murid (discipulo) aceita Shaykh Sayyiduna Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele) como o seu Shaykh, testemunhando que a ahd (i.e. bayt, que significa, prestar fidelidade a um Santo) é a ahd a Allah, O Majestoso e ao Seu Apóstolo, O Profeta Muhammad . O discipulo submete-se às orientações espirituais do seu Pir (Guia Espiritual).

Ele é o nosso Mestre, um exemplo digno entre os Awlya (santos), O al-Qutb ar-Rabbani (Centro dos Nobres Cardeais), O Ghawth (Auxiliador Espiritual), O ahle at-Tariq (O Sultão dos que caminham na via espiritual, o incomparável, a fundação universal e pura. Shaykh Sayyiduna Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele), certa vez afirmou:

“Eu sou o Shaykh dos anjos, dos seres humanos e dos jinn.”

Por analogia com outras Ordens sufis, os Qadiris instituem certos ritos e símbolos, que diferem de país para país. Todavia, uma das características é o facto de todos eles preferirem a cor verde para se distinguirem. Conta-se também que pelas mãos de Shaykh Sayyiduna Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele), mais de cinco mil judeus e cristãos aceitaram o islam. Mais de cem mil rufiões, fora-da-lei, assassinos, assaltantes e malfeitores arrependeram-se e tornaram-se muçulmanos devotos e honrados Dervixes. O Sultão dos Santos explica que alcançou o seu nível espiritual, depois de viver 25 anos no deserto desolador do Iraque e de ter passado noites frias ao relento, tentando combater a voz desobediente do seu ego. Esta atitude pode ser apenas empreendida por alguém especial, um “soldado espiritual”, que se retira da zona de conforto em que se encontra, para aniquilar o seu ego durante 25 anos no deserto, no frio e na solidão.

A importância da Bayt

O grande poeta do Oriente, Hazrat Allama Iqbal (que Allah esteja satisfeito com ele), afirma:

“O quê? Existe alguém que tenha atingido a perfeição apenas lendo livros? É simples compreender que não é possível alguém tornar-se carpinteiro sem ter estado na companhia de um, tal como não se torna alfaiate sem se ver a arte praticada pelo seu artista nem um calígrafo sem antes ter estado na companhia do seu professor. Em resumo, não é possível atingir a perfeição ou tornar-se um perito, sem se ter estado antes na companhia de um”.

Da mesma forma, o companheirismo de um pessoa piedosa introduzirá piedade no seu discipulo. De forma oposta, a companhia de um malfeitor influenciará quem o acompanhe. Quem busca a ligação com Allah, O Majestoso, terá que primeiro procurar a ligar-se aos Awlya-e-Kram. A companhia com um pessoa piedosa, nem que seja por um momento, é superior a um século de Zuhd (abstinência) e Ita’aat (obediência).

Shaykh Sayyiduna Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele) afirma: Se alguém é incapaz de diferenciar um Guia Espiritual de um impostor, a pessoa deverá praticar 2 rakaat nafl , com a intenção de obter uma Prova de autenticidade de Allah, O Majestoso, na hora de Tahajjud( primeiro terço da noite). Após o cumprimentos desses 2 rakaat, a pessoa deverá rogar a Allah, o Majestoso para que lhe informe àcerca de Pessoas piedosas que o possam guiar no caminho recto. A pessoa deverá suplicar a Allah, O Majestoso, para que lhe mostre a pessoa que o irá intoxicá-lo do amor de Allah, o Majestoso e adornar-lhe os olhos do seu coração com a proximidade do Seu Criador e informá-lo de eventos que ele possa testemunhar do Oculto. (Retirado do Livro de Al-Fath-ur-Rabbani, p/146).

O estado de Tazkiya (auto-aniquilação) não poderá ser atingido sem a ligação com um Shaykh. Há professores para todas as áreas do conhecimento. Se for colocada uma questão sobre Fiqh, é necessário consultar um Mufti, porque terá conhecimento para prestar esclarecimentos. No entanto, é difícil estudar a condição interior do “eu” e reconhecer as doenças espirituais, sem uma instrução e orientações claras. As fraquezas que não se revelam fácilmente são por vezes impercetíveis e parecem funcionar na normalidade. Pode haver simultâneamente algo que seja normal com algo de maléfico e ser difícil de distinguir ambos. Por exemplo,a arrogância é um característica que é ílicita e é wajib (obrigatório) evitá-la porque é raíz de todos os males; por outro lado, o respeito individual, é wajib aperfeiçoar-se no desenvolvimento pessoal. Todavia, a fronteira deverá ser traçada, i.e., delinear o ponto de partida que se identificam as duas características, o respeito individual e a arrogância. Não é possível a qualquer pessoa, determinar a linha de demarcação entre o Fadail (antigo) e o Razail (mais recente). Nesse sentido, para se identificar e tratar a doença espiritual, é necessária a a ligação com um Murshid (Guia Espiritual). O Salik (a aquele que procura), deverá procurar corrigir o seu Razail através do seui Guia Espiritual, um por um.

URS (Data da morte de um santo que assinala a união com Allah, O Majestoso)

11 de Rabi-al-Thani, 561 da Hégira, com 91 anos de idade

Local de repouso

Bagdade sharif, Iraque

A Personalidade de Shaykh Sayyiduna Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele) é uma enorme benção de Allah, O Majestoso para a Ummah (Comunidade) do Seu Querido Profeta Muhammad , que é considerado o Grande Auxiliador que intervém quando é invocado, para responder àqueles que em sofrimento, aguardam pela sua ajuda.

Os acontecimentos de hoje requerem uma atenção cada vez mais especial e uma ligação cada vez maior aos Santos.

Que Allah, O Majestoso, nos guie, através da ajuda dos Seus Amigos Piedosos de forma a nos orientaram no trilho que nos leva ao Senhor-ameen.

Estas retrato biográfico foi retiradas do artigo sobre o Grande Santo, Hazrat Ghaus-e-A’zam Shaikh Syed Abdul Qadir Jilani (que Allah esteja satisfeito com ele), da Islamic Educational and Cultural Research Center, USA and Canada)

Link: http://www.iecrcna.org/site/wp-content/uploads/2010/03/shaykhabdulqadirjilani.pdf